FREEMASON’S HALL – O CORAÇÃO DA MAÇONARIA SIMBÓLICA



Por mais de duzentos anos, o Freemason’s Hall, localizado na Great Queen St., em Londres, tem sido o coração da Maçonaria Britânica e de toda a Maçonaria regularmente constituída. Dali, nossa Ordem se espalhou para todos os recantos da Terra. Esta pequena instrução nos dará uma breve visão acerca da importância histórica deste que é considerado o coração da Maçonaria Mundial. 

A Grande Loja da Inglaterra (fundada originalmente como Grande Loja de Londres e Westminster), a Primeira Potência Maçônica do Mundo, foi fundada em Londres, em 24 de junho (dia de São João Batista) de 1717, em jantar festivo na cervejaria “O Ganso e a Grelha” (Goose and Gridiron Ale-House), no pátio da Catedral de São Paulo. Em sessão conjunta, se reuniram três Lojas londrinas e uma sediada em Westminster, a saber: a Loja anfitriã, que carregava o mesmo nome da taverna, “A Coroa” (Crown Ale-House), “A Macieira” (Apple Tree Tavern) e “Copázio e Uvas” (Rummer and Grapes Tavern). Nesse tempo, as Lojas não possuíam títulos distintivos, sendo conhecidas pelo nome do local onde se reuniam. Todas as quatro Lojas funcionavam em tavernas ou estalagens que forneciam vinho, comida e hotelaria, ou em casas de cerveja (ale-houses) que tradicionalmente serviam uma cerveja escura, pesada e amarga. Curiosamente, o nome “O Ganso e a Grelha” era uma paródia de “O Cisne e a Lira”, sociedade musical que também se reunia nesta cervejaria. A Cervejaria “O Ganso e a Grelha” não mais existe, tendo sido demolida em 1894, mas ainda é possível encontrar o beco onde se localizava, no canto noroeste da Catedral de São Paulo onde hoje se localiza a Praça Paternoster. 

Durante os sessenta anos seguintes, a Grande Loja manteve seus encontros habituais em vários pubs, tavernas e salões de guildas comerciais. Com o decorrer do tempo, a conveniência e comodidade da Ordem ter uma sede própria tornaram-se aparentes. Até onde se sabe, a idéia foi proposta em público pela primeira vez em um discurso proferido pelo Grande Segundo Vigilante em 1763, mas os primeiros passos em direção à construção de uma sede própria só foram dados durante o Grão-Mestrado do Duque de Beaufort, em 1768, onde um plano de captação de recursos para a construção da sede foi colocado em prática pela Comissão de Caridade. Entretanto, foi apenas em 1772, durante o Grão-Mestrado de Robert Edward (Lorde Petre), que a sede se tornou realidade. Lorde Petre se envolveu pessoalmente no projeto, e utilizando-se do seu prestígio e recursos financeiros, possibilitou a aquisição de instalações localizadas no nº 61 da Great Queen St, pelo valor de £3.150. Essas instalações consistiam em duas casas: uma de frente para a rua e outra aos fundos, havendo um pequeno pátio entre elas. Os quartos localizados nos andares superiores das casas foram adaptados para sediarem as diferentes Comissões. A casa da frente se tornou a “Taverna dos Maçons” (Freemason’s Tavern e Coffe House). Atrás das casas ficava um jardim onde posteriormente foi erigida a edificação do Primeiro Freemason’s Hall, sendo esse inaugurado em 23 de maio de 1776. Esta primeira sede se localizaria entre o que é hoje o lado oriental do Freemason’s Hall e a entrada principal do Hotel Connaught Rooms. 

Várias alterações e adições foram feitas nos prédios originais, durante as primeiras décadas do séc. XIX, fazendo com que já nos idos anos de 1850 as instalações adjacentes se tornassem tão inconvenientes que em 1869 decidiu-se pela reconstrução do prédio (a Oficina ficou estritamente ligada à Taverna, por exemplo, tornando não incomum incidentes onde profanos acabavam adentrando suas dependências). O prédio original de 1776 foi mantido, mas novas instalações foram destinadas à Taverna, tornando possível uma completa readaptação da sede às necessidades dos IIr.’., bem como uma ornamentação externa mais elaborada, que visava dar maior credibilidade à Ordem.

A inauguração do Segundo Freemason’s Hall teve lugar em 14 de abril de 1869. Esse prédio se destacava por propiciar uma fachada própria à Sede Maçônica (que antes ficava nos fundos da taverna), tornando-se um dos pontos de referência da Great Queen St. Uma nova Taverna foi construída em alvenaria com revestimento em pedras. No decorrer dos anos, a esse segundo edifício foram incorporados uma série de prédios vizinhos, visando a instalação de uma Biblioteca e do Museu da Grande Loja. Por fim, em 1909 a “Taverna dos Maçons” teve seu nome modificado para “Connaught Rooms”.

Pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial novas expansões estavam programadas, buscando homenagear o Rei Eduardo VII, que quando Príncipe de Gales foi também Grão-Mestre da Ordem, de 1874 até 1901. A guerra acabou impossibilitando a execução de novas expansões, mas ao fim do conflito decidiu-se por uma nova reconstrução. Desta vez, o prédio foi construído em estilo art deco, e sua principal motivação foi erigir-se como um memorial perpétuo, homenageando todos os maçons que perderam a vida em combate. Uma pedra fundamental simbólica foi assentada a partir de uma cerimônia especial realizada no Royal Albert Hall, que contou com a presença de 8.000 IIr.’., em 14 de junho de 1927. A pedra fundamental do Templo, foi assentada no local de construção simultaneamente à simbólica.

Devido à sua arquitetura e importância histórica, o Freemason’s Hall é considerado hoje em dia um dos principais pontos turísticos de Londres. Visitas-guiadas são oferecidas diariamente de forma gratuita. A Biblioteca e o Museu da Maçonaria ficam abertos ao público em geral e são acessíveis a todos os visitantes. O acesso às outras áreas é restrito às visitas-guiadas e aos IIr.’. que se reúnem nas diversas Lojas sediadas no local. Dentre essas áreas, destaca-se o Grande Templo, utilizado para as Assembléias Gerais da UGLE, encontros de Ordens Paramaçônicas, bem como reunião das Grandes Lojas Provinciais de cada Condado. Suas portas de bronze se abrem para um templo de 37m de comprimento, por 27m de largura e 19m metros de altura (mesma altura de um prédio de 6 andares). O Grande Templo tem capacidade para até 1.700 pessoas.  

Além do Grande Templo, ainda existem 23 templos menores que são usados em sessões econômicas, todos ricamente adornados e com características únicas, não existindo dois templos iguais. Alguns desses Templos são dignos de destaque: O Templo Nº1, por exemplo, é muito grande, podendo receber até 600 pessoas. O templo Nº 10, onde os arquitetos dispunham de altura e espaço adicional devido à sua localização sob a grande torre do relógio, é construído em um estilo que combina art deco e arquitetura egípcia, além disso, possui um teto abobadado impressionante. O Templo Nº17 goza de impecável ornamentação e é usado, em particular, pelas três Lojas mais antigas de Londres, as três remanescentes das quatro Lojas Fundadoras. Ao contrário do Grande Templo, os outros 23 templos não são normalmente abertos ao público, pois estão em uso constante.

Outros atrativos são a Biblioteca e o Museu da Maçonaria. O Museu possui uma rica coleção de objetos com motivos maçônicos, tais como pratarias, porcelanas, relógios, jóias, etc. Os itens apresentados incluem pertences de maçons     famosos, como o Rei Eduardo VII e Winston Churchill. A Biblioteca é aberta ao público para pesquisas e consultas, possuindo um verdadeiro tesouro em forma de livros raros, manuscritos e documentos originais, reunindo em um só local e de forma única uma parcela incomensurável do  conhecimento disponível sobre a Maçonaria Britânica e mundial.